Quando o disjuntor geral desarma, ele está acusando que a corrente total da casa passou do limite dele, ou que existe um curto ou fuga em algum ponto que os parciais não isolaram. O jeito de descobrir é separar as duas situações: ver se a queda acontece com cargas demais ligadas ao mesmo tempo ou se há um circuito específico que derruba tudo.

Por que só o geral cai

O geral protege a entrada do quadro e o cabeamento que alimenta os parciais. Ele "vê" a soma. Um parcial de 20 A, outro de 25 A e outro de 32 A podem estar todos dentro do limite individual e, juntos, passar do que o geral aguenta. Já um curto forte costuma derrubar o parcial do circuito defeituoso. Se derruba o geral, o curto pode estar antes dos parciais ou o parcial pode ser mais lento que o geral naquele caso.

Três cenários

Cenário Como se apresenta O que fazer
Soma de cargas Cai quando chuveiro, forno, ar e ferro de passar funcionam juntos, em geral no mesmo horário Redistribuir o uso e pedir cálculo de demanda
Curto ou fuga em um circuito Cai logo ao religar um parcial específico Deixar esse parcial desligado e chamar o eletricista
Defeito antes dos parciais ou no geral Cai com todos os parciais desligados, ou esquenta, estala, cheira a queimado Não religar mais que uma vez e chamar o eletricista

Teste de um parcial por vez

Este teste usa apenas as alavancas dos disjuntores, sem abrir o quadro e sem tocar em fio. Ele serve para identificar qual circuito faz o geral cair.

  1. Abaixe todos os disjuntores parciais e desligue os aparelhos mais pesados da tomada, se for fácil.
  2. Rearme o geral. Se ele cair mesmo com todos os parciais desligados, pare. O defeito está entre o geral e os parciais, e é do eletricista.
  3. Ligue um parcial por vez, esperando alguns instantes entre um e outro.
  4. Quando o geral cair ao ligar um parcial específico, anote qual. Deixe esse circuito desligado.
  5. Religue os outros e veja se o geral aguenta. Depois, ligue os aparelhos desse circuito, um de cada vez, na tomada de outro circuito, se for seguro e possível, para saber qual deles tem defeito.
  6. Se o geral aguentar todos os parciais, uma carga por vez, o problema tende a ser soma de cargas: ligue aparelhos de potência alta juntos e observe quando cai.

Se o geral cai ao ligar um circuito mesmo sem nada ligado nele, é problema de fiação ou de disjuntor, e o próximo passo é o profissional. Não repita o teste várias vezes seguidas: cada religação sobre curto estressa fiação e disjuntor.

Conta de demanda da casa

A conta ajuda a ver se o geral é pequeno para o que a casa usa. O método:

  1. Liste os aparelhos de maior potência e a potência de cada um, que fica na etiqueta.
  2. Some a potência dos que costumam funcionar ao mesmo tempo.
  3. Divida pela tensão (127 V ou 220 V, conforme a ligação) para ter a corrente aproximada.
  4. Compare com a corrente nominal do geral, deixando margem.

Exemplo ilustrativo, apenas para mostrar o cálculo: um chuveiro de 5.500 W em 220 V puxa cerca de 25 A. Um ferro de passar de 1.200 W em 127 V puxa cerca de 9 A. Um forno elétrico, um micro-ondas e um ar-condicionado somam correntes parecidas. A soma pode passar do geral mesmo que cada parcial esteja no limite.

Três observações para a conta ficar honesta:

  • Nem todos os aparelhos funcionam juntos o tempo todo. O eletricista usa fatores de demanda no projeto, o que torna o cálculo mais realista do que simplesmente somar tudo.
  • Em instalação bifásica, cargas de 127 V ficam distribuídas entre as fases, e o desequilíbrio entre elas também derruba o geral.
  • A corrente do geral está limitada ao padrão de entrada da distribuidora. Se a casa cresceu, às vezes é preciso pedir aumento de carga.

Sinais de defeito no geral ou no barramento

Nem toda queda é sobrecarga. Preste atenção a:

  • Disjuntor quente ao toque, bem acima dos demais.
  • Cheiro de plástico queimado perto do quadro.
  • Tampa do quadro amarelada ou escurecida.
  • Estalos ou zumbido forte vindo do quadro.
  • Luzes que piscam quando algum aparelho liga.
  • Geral que cai sem nenhuma carga alta em uso.

Esses sinais indicam conexão frouxa, barramento com mau contato ou disjuntor com desgaste. Esse tipo de defeito aquece com o uso e pode evoluir para fogo. Aqui você observa e para: abrir o quadro energizado para olhar ou apertar parafuso não é tarefa de leigo.

O que você pode fazer com segurança

  • Distribuir o uso: não ligar chuveiro, forno e ar ao mesmo tempo, enquanto o problema não é resolvido.
  • Identificar os circuitos no quadro, caso não estejam rotulados.
  • Anotar quando o geral cai e o que estava ligado.
  • Deixar desligado o parcial que derruba o geral.
  • Não trocar o geral por um maior, nem colocar calço ou ponte para "segurar" a alavanca.

O que o eletricista faz

Com o quadro desenergizado, ele confere o aperto e o estado de cada conexão e a condição do barramento e dos disjuntores. Depois, com a casa funcionando, mede a corrente de cada fase com o alicate amperímetro, verifica o equilíbrio entre elas e compara com o padrão de entrada. Se a casa realmente exige mais, pode propor redistribuir circuitos ou solicitar o aumento de carga à distribuidora.

Horários e hábitos que denunciam o problema

Anote em que horário o geral cai. Um padrão comum é cair no fim da tarde ou na hora do banho, quando chuveiro, ar-condicionado, forno e máquina funcionam juntos. Isso aponta para soma de cargas. Cair de madrugada, com quase nada ligado, aponta para outra linha: geladeira e freezer partindo ao mesmo tempo, fuga em algum aparelho ou defeito de conexão.

Mudanças recentes também contam. Compra de ar-condicionado, de forno elétrico ou de carregador de carro elétrico aumenta a carga da casa sem que o geral tenha sido revisto. Uma reforma com tomadas novas pode ter ligado mais circuitos no mesmo geral. Antes de achar que o disjuntor está ruim, vale listar o que mudou na casa nas últimas semanas.

Se o desarme vem junto de chuva, o geral pode estar sendo derrubado por infiltração em caixa externa, medidor ou ramal. Isso exige o eletricista, e em parte dos casos a distribuidora, se o problema for antes do medidor.

Quando o geral é da distribuidora

Em muitas casas há um disjuntor na caixa do medidor, além do geral no quadro. O da caixa do medidor faz parte do padrão de entrada, e o lacre é da distribuidora. Não mexa nele nem tente trocá-lo. Se o disjuntor da caixa do medidor é que cai, o caminho é conversar com o eletricista e, se for o caso, com a distribuidora.

Quando chamar um eletricista

Chame se o geral cai com todos os parciais desligados, se esquenta, estala ou cheira a queimado, ou se a queda se repete mesmo depois de redistribuir o uso. Problema no barramento ou no geral é trabalho com o quadro energizado para medição, e só o eletricista deve fazer.

Na visita, pergunte qual a corrente medida em cada fase, se o equilíbrio entre elas está bom, se o geral combina com o padrão de entrada e se algum disjuntor precisa ser trocado. Peça uma lista dos circuitos com a corrente de cada disjuntor.